Análise – Review: Beat ‘Em Up Collection (QUByte Classics) – Multiplataforma – A preservação de clássicos obscuros

3.5
de 5
Jogabilidade 4.5
História 3
Gráficos 3
Sonorização 2
Fator Replay 5

QUByte Interactive

Beat 'Em Up Collection (QUByte Classics)

Distribuidora (Publisher): Bleem.net, Piko Interactive LLC, QUByte Interactive Plataforma: PC, Nintendo Switch, PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series X, Xbox Series S

Embora a qualidade dos sete jogos varie bastante, e alguns títulos como First Samurai e Second Samurai possam ter versões consideradas inferiores (como a de Mega Drive para Second Samurai) ou design de fases questionável (First Samurai's sinos de feitiçaria), a Beat 'Em Up Collection (QUByte Classics) é um pacote sólido de preservação.

A Beat ‘Em Up Collection (QUByte Classics), distribuída e publicada pela QUByte Interactive, chega com uma proposta clara: resgatar sete títulos de ação side-scrolling da era 16-bit (anos 90) que, em sua maioria, são considerados obscuros ou foram esquecidos pela história. Nossa análise se concentra em como esta coletânea cumpre seu papel de preservação e se os recursos modernos conseguem mitigar as frustrações inerentes a jogos lançados em uma época com as limitações de hardware e o design agressivo dos arcades.

Tela inicial de Beat ‘Em Up Collection (QUByte Classics)

É fundamental reconhecer que muitos destes jogos – como First Samurai (1993), Second Samurai (1994), Gourmet Warriors (1995), Iron Commando (1995), Legend (1994), Sword of Sodan (1990) e The Tale of Clouds and Winds (Water Margin) (1996/1999) – não possuem o pedigree de clássicos mainstream. Muitos são títulos de “segunda ou terceira linha”, com jogabilidade frequentemente “travada”, física de salto “estranha” e detecção de colisão “não confiável”. No entanto, a missão desta coleção é tirar esses jogos que dependiam de cartuchos antigos ou sites duvidosos de ROMs para trazê-los à legalidade e ao não-esquecimento.

Continua após o anúncio

O resgate histórico: Curiosidades da emulação e títulos inéditos no Ocidente

Um dos maiores apelos da Beat ‘Em Up Collection é a inclusão de jogos que, na época, não tiveram um lançamento oficial no Ocidente ou eram extremamente raros, oferecendo uma perspectiva histórica da diversidade do gênero nos anos 90.

First Samurai: Lançado originalmente em 1993 para SNES, este título é uma mistura de ação e plataforma (action-platformer) com elementos de hack ‘n slash, mais parecido com Ninja Gaiden do que com um beat ‘em up tradicional.

Jogo First Samurai (1993 – SNES)

Second Samurai: Sequência direta de First Samurai, lançado em 1994, sendo a versão de Mega Drive a incluída nesta coleção. É um jogo com viagens no tempo e que envolve libertar almas presas em vasos.

Second Samurai (1994 – Mega Drive)

Gourmet Warriors: Um beat ‘em up com temática pós-apocalíptica e culinária. Lançado em 1995 para SNES, ele era originalmente exclusivo do Japão e é conhecido por sua estranheza e pela mecânica de combinar ingredientes coletados de inimigos para preparar refeições e recuperar HP entre as fases.

Gourmet Warriors (1995 – SNES)

Iron Commando: Lançado em 1995 para SNES, é um brawler urbano focado em armas (pistolas, metralhadoras, bastões) e explosões. É notável porque foi desenvolvido no Japão, mas nunca teve um lançamento oficial no Ocidente na época.

Legend: Este é um beat ‘em up medieval (ou hack ‘n slash, dependendo da definição) de 1994 para SNES, onde dois guerreiros usam espadas, escudos e magia para enfrentar o feiticeiro Clovius.

Legend (1994 – SNES)

Sword of Sodan: O jogo mais antigo da coleção, lançado em 1990 para Mega Drive. É um título de fantasia sombria notável por seus sprites grandes, mas é considerado por muitos como um dos jogos mais polêmicos ou ruins da época devido à jogabilidade truncada e à animação engessada.

Sword of Sodan (1990 – Mega Drive)

The Tale of Clouds and Winds (Water Margin): Também conhecido como Water Margin, foi lançado em 1999 para Mega Drive e é baseado no romance clássico chinês de mesmo nome. Esta é uma pérola rara da cena retrô asiática, inédita no Ocidente por quase vinte anos, e é descrito como o melhor jogo da coletânea por alguns.

The Tale of Clouds and Winds (Water Margin) – 1990 – Mega Drive

A coleção, publicada pela QUByte Interactive, tem a missão de trazer esses títulos, muitos dos quais eram obscuros ou dependiam de sites duvidosos de ROMs, para a legalidade e para o não-esquecimento. Muitos desses jogos são da cena retro asiática e foram lançados para SNES e Mega Drive.

Veja também: Análise: Top Racer Collection – Reviva ou conheça os melhores jogos de corrida da era de ouro dos anos 90 no Super Nintendo

Continua após o anúncio

Opções modernas: Acessibilidade e a qualidade da emulação

O grande diferencial da linha QUByte Classics é a implementação de recursos modernos que tornam a experiência de revisitar esses jogos, que muitas vezes eram intencionalmente difíceis para “devorar fichas”, muito mais agradável.

Saiba mais sobre a história e curiosidades do desenvolvimento de cada jogo. Também disponível em português brasileiro!

A emulação em si preserva a jogabilidade clássica, e as fontes indicam que, no geral, os jogos são “bem emulados”, com uma boa resposta de controle em títulos como First Samurai.

Os recursos disponíveis são robustos e altamente relevantes para quem busca explorar o catálogo sem a frustração do hardware de época:

Função Rewind (Retrocesso): Permite voltar no tempo em tempo real para corrigir erros. Este recurso é considerado “libertador”, tornando possível zerar jogos que eram “absurdamente difíceis” e até mesmo buscar runs perfeitas sem morrer.

Cada jogo apresentam suas opções extras e trapaças que ajudam muito!
Cada jogo apresentam suas opções extras e trapaças que ajudam muito!

Opções de Trapaça (Cheats): Acessíveis diretamente pelo menu de pausa, eles incluem vidas infinitas, invencibilidade, extra life infinita e seleção de fase. Para jogos criticados por sua jogabilidade, como Sword of Sodan ou Iron Commando, ativar esses cheats pode mudar completamente a experiência, permitindo apreciar o visual ou a história sem se frustrar.

Configurações de Tela e Filtros Visuais: A coletânea oferece suporte para vários formatos de tela (4:3, Fit, Tela Cheia) e filtros visuais. Isso inclui opções para recriar a nostalgia de jogar em uma TV de tubo (CRT) com efeitos de distorção ou varredura (scanlines).

Extras e Preservação Digital: O pacote inclui manuais digitais, curiosidades sobre cada jogo e Jukebox (teste de áudio). Isso adiciona contexto histórico, algo crucial ao lidar com títulos tão obscuros.

Alguns manuais possuem umas ilustrações bem audaciosas!

Localização e Mapeamento: Os menus estão localizados em Português (BR), Inglês e Espanhol, e há suporte completo para remapeamento de controles.

O Caso de Sword of Sodan: ambição visual vs. jogabilidade da época

O jogo mais antigo da coleção, Sword of Sodan (1990), é um estudo de caso clássico sobre a limitação do hardware e o design da época. Ele é infame e divide opiniões. Por um lado, possui sprites enormes e uma ambição gráfica que era ousada para 1990. Por outro lado, a jogabilidade é truncada e engessada, com detecção de colisão ruim e movimentos lentos. Jogar Sword of Sodan hoje, mesmo com cheats, é uma curiosidade histórica, pois ele representa como a ambição visual nem sempre se traduzia em diversão contínua na era 16-bit.

Sword of Sodan é muito ruim. Mas a QUByte conseguiu deixá-lo jogável com os cheats e tornou-se um título interessante e curioso!

Veja também: Análise: VISCO Collection – Uma divertida e nostálgica coletânea para você re-jogar ou conhecer ótimos jogos

Conclusão

Embora a qualidade dos sete jogos varie bastante, e alguns títulos como First Samurai e Second Samurai possam ter versões consideradas inferiores (como a de Mega Drive para Second Samurai) ou design de fases questionável (First Samurai‘s sinos de feitiçaria), a Beat ‘Em Up Collection (QUByte Classics) é um pacote sólido de preservação.

A QUByte Interactive, sendo um estúdio brasileiro, se arrisca ao lançar essa seleção de jogos obscuros. O sucesso da coletânea não está na excelência de cada game, mas sim na maneira como os recursos de emulação—especialmente o Rewind instantâneo e os Cheats—permitem que novos jogadores experimentem a curiosidade histórica e os fãs de retro gaming revisitem essas joias escondidas ou, em alguns casos, “esquisitices adoráveis”. Para quem valoriza o resgate de títulos que antes eram inacessíveis no Ocidente, esta coleção oferece uma viagem nostálgica, porém com o conforto e a acessibilidade que a tecnologia moderna proporciona.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *