SUNSOFT, Red Art Games
City Hunter - Remastered Edition
City Hunter é uma experiência gratificante, fluida e repleta de charme retrô. É uma pena que, devido à sua política de preços agressiva, esta pérola continuará sendo um tesouro escondido... Não pela falta de qualidade, mas pelas barreiras financeiras impostas ao jogador brasileiro.
Mais de três décadas se passaram desde que City Hunter estreou no PC Engine, em 1990. Agora, em 2026, a SUNSOFT e a Red Art Games trazem de volta este que é o único jogo oficial de console da franquia. Mas antes de falarmos do jogo em si, é preciso contextualizar: City Hunter é uma obra massiva de Tsukasa Hojo. Enquanto o mangá é um clássico mundial, o anime nunca teve a mesma exposição televisiva no Brasil que outros anões dos anos 90, tornando esta franquia um verdadeiro “fantasma” para o público ocidental.
Porém, para os caçadores de relíquias, o PC Engine é um console cuja biblioteca é absurdamente subestimada no Brasil. E City Hunter é, sem dúvida, uma das pérolas que nos fazem querer mergulhar fundo no catálogo da máquina.
Confira o Trailer
A Missão do “Sweeper”
Você assume o papel de Ryo Saeba, um “sweeper” (limpador) que aceita de tudo, desde escoltar belas mulheres até missões letais, ao lado de sua parceira Kaori. A dinâmica das fases pode parecer confusa nos primeiros minutos, exigindo que você explore os cenários em busca de documentos e chaves. Mas basta sobreviver a dois estágios para que a engrenagem clique em sua mente.

O grande trunfo do design é a liberdade: o jogo permite que você escolha aleatoriamente entre três fases distintas, fugindo da linearidade tradicional e inflando o fator replay. A variedade de armas mantém a curiosidade sempre viva, e a cautela é sua melhor amiga contra inimigos desafiadores que exigem poder de fogo. A dificuldade dá saltos frenéticos em estágios avançados, gerando frustração, mas a vitória é imensamente recompensadora.

Modernização e comodidade
Esta versão é um presente para os fãs. Os menus são intuitivos, permitindo ajustes de proporção, filtros de tela e remapeamento de botões, jukebox para ouvir as músicas do jogo. A inclusão de save-states salva a vida de quem não tem tempo a perder. Além do modo original, há uma versão “melhorada” com controles mais fluidos e dinâmicas menos punitivas — um respiro para quem quer apenas curtir a ação, embora os puristas possam desativar essas facilidades. Até as 19 conquistas do jogo são justas, com o único grande desafio sendo vencer no modo Hard (o que os save-states resolvem com maestria). Além de contar com uma galeria de arte bem legal e os encartes e cartucho do jogo.
O elefante na sala: Localização e Preço
Aqui a festa encontra seu fim para o público brasileiro. O jogo não possui legendas em português, nem nos menus, nem nos diálogos. Embora o inglês seja simples, a barreira do idioma pode afastar curiosos.

Mas o verdadeiro vilão desta história é o preço. Por não haver uma adaptação comercial focada no Brasil (e em outras localizações também), o título chega com um valor proibitivo. Mesmo em promoções, a conta não fecha. Para o colecionador retrô, faz muito mais sentido investir em coletâneas robustas do que em um único título isolado.
Pontos fortes
Pontos fracos
City Hunter é uma experiência gratificante, fluida e repleta de charme retrô. É uma pena que, devido à sua política de preços agressiva, esta pérola continuará sendo um tesouro escondido — não pela falta de qualidade, mas pelas barreiras financeiras impostas ao jogador brasileiro.