The Last Good Boy: Uma comovente homenagem de um Desenvolvedor ao seu Melhor Amigo

4.5
de 5
Jogabilidade 5
História 4
Gráficos 5
Sonorização 4
Fator Replay 5

vkaike2

The Last Good Boy

Distribuidora (Publisher): vkaike2 Plataforma: PC

Um Idle RPG viciante que impressiona por ser o primeiro trabalho de um desenvolvedor independente. Mostrando que, colocando amor e fazendo aquilo que gostamos, tudo fica caprichoso e muito bem feito!

Jogamos a versão de lançamento no PC STEAM

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Há algo de magicamente especial em jogar o primeiro título de um desenvolvedor independente. Quando a paixão está pixelada e animada na tela, a gente sente. Recentemente, tive o prazer de conhecer o game The Last Good Boy, a estreia do desenvolvedor brasileiro Victor Kaike (conhecido online como vkaike2).

O que começou como um projeto pessoal para imortalizar seu cachorro, transformou-se em um Idle RPG surpreendente, recheado de mecânicas profundas, uma pixel art impecável e uma alma genuína. Prepare o coração (e o mouse), porque vamos falar sobre essa joia indie.

Trailer: The Last Good Boy – Release Trailer – YouTube

O cão protagonista: Ramon

Antes de falarmos de gameplay, precisamos falar sobre o coração pulsante deste projeto: Ramon. O protagonista é um Shih-tzu marrom, inspirado no próprio cachorro do desenvolvedor. Victor, que hoje mora em Copenhague, na Dinamarca, percebeu que a vida de seu pet era, essencialmente, um RPG. Os brinquedos viraram armas; as roupinhas de frio, armaduras; e o passeio diário? A daily quest perfeita.

Como o próprio Victor relata, há um desejo silencioso e doloroso de todo tutor de pet: o de imortalizá-los, já que eles partem muito antes de nós. Assistindo a The Last of Us, a ideia do nome surgiu: The Last Good Boy (O Último Bom Garoto).

Jogando, é impossível não sentir o amor do Victor por Ramon. E isso se estende à própria jornada do desenvolvedor. Victor é um cara que cresceu no Super Nintendo e nos primeiros MMOs. Ele passa noites em claro pensando e analisando as escolhas de game design de outros criadores. The Last Good Boy é a materialização de anos de observação e do desejo de criar o jogo exato que ele gostaria de jogar. E ele conseguiu.

Do nebuloso ao viciante

Logo nos primeiros minutos, a sensação é de um certo mistério. O jogo abre com um tom nebuloso, você parece estar perdido, não tem tutorial de boas-vindas, mas basta dar os primeiros passos com Ramon e ter uma conversa intrigante com o Senhor Coruja para que a mágica aconteça. A partir daí, o jogo se abre e revela suas camadas. E não se preocupe, o jogo está disponível em português!

Inicio da aventura em The Last Good Boy
Que tal começar a aventura conversando com o Senhor Coruja? – Imagem: Reprodução

É um jogo Idle que se casa com um RPG

A grande sacada do título é como ele equilibra o relaxamento do gênero Idle com a profundidade de um RPG.

  • O lado Idle: Você clica uma vez e Ramon segue sozinho. Tudo continua rodando mesmo quando você fecha o jogo.
  • O lado ativo: Quer ser mais eficiente? Os recursos possuem minigames próprios, e você pode usar comida manualmente no combate. O sistema de “auto-pot” (inspirado em Melvor Idle) ativa quando você chega a 50% de HP, mas exige que você equipe uma Ferramenta específica.
Menu de inventário e de craft - The Last Good Boy
Os menus são bem organizados e intuitvos. – Imagem: reprodução

O sistema de combate lembra muito um “pedra-papel-tesoura” brilhante e estratégico: Dano Melee vence Evasão; Dano Mágico vence Defesa; e Dano Ranged (à distância) vence Defesa Mágica. Isso força você a pensar no set de equipamentos, algo que se aprofunda ainda mais na coleta, que possui atributos próprios como “Eficiência” e “Velocidade de Ferramenta”.

O Portal de Batalhas e a curva de aprendizado

Confesso que, no começo, me perdi um pouco no Portal de Batalhas, onde invocamos inimigos para Ramon caçar e conseguir seus recursos. Entender os elementos de defesa e configurar o personagem para derrotar o maior número de monstros no menor tempo exigiu um pouco de estudo. Mas a recompensa vale a pena: dominar essa mecânica é crucial para farmar os recursos necessários e destravar a ilha. E é aqui que o jogo te pega: você fica vidrado, querendo desbloquear novos inimigos e equipamentos só para ver o que Ramon vai descobrir na ilha, na caverna e além.

Portal de combate em The Last Good Boy
Ramon precisa de muito suco para enfrentar tudo o que aparece no Portal de Batalha – Imagem: Reprodução

Um banquete visual e sonoro

Preciso tirar o chapéu para a direção de arte. A pixel art é perfeita. Todos os elementos visuais estão alinhados; não há um único ícone que destoam da arte original. As animações casam umas com as outras de forma fluida — dá para imaginar o trabalhão monumental que foi desenhar cada frame!

E a melhor parte? Os equipamentos aparecem no personagem. Conforme você cria e equipa as primeiras roupinhas e armaduras para Ramon, você se encanta ao ver o visual dele mudando na tela. É um detalhe que traz uma conexão visual imediata com o progresso.

Ramon equipado com suas roupinhas em The Last Good Boy
Ramon está sempre fantasiado e pronto para a aventura! – Imagem: reprodução

A sonoridade acompanha essa excelência. A trilha é leve, relaxante e muda dinamicamente de acordo com o ambiente que Ramon explora. Os efeitos sonoros (SFX) são satisfatórios e se encaixam perfeitamente nas ações, criando uma atmosfera acolhedora.

A Narrativa

A história de The Last Good Boy não se propõe a ser uma épica fantasia de mil páginas, mas tem um trunfo curioso: O Senhor Coruja. Ela é quem guia Ramon a conseguir reencontrar seus amigos que estão perdidos e, através de diálogos que quebram a quarta parede, te faz questionar a natureza dela. Será que ela é realmente uma amiga? Ou está usando o nosso “Último Bom Garoto” para algo não muito legal? Essa ambiguidade adiciona uma camada de mistério muito bem-vinda.

Senhor Coruja em The Last Good Boy
(Ele acreditou nisso? Sério?) – Eu não confio no Senhor Coruja – Imagem: reprodução

Veredito

O jogo conta entre 30 e 40 horas de jogo, mais de 100 itens para coletar, 12 monstros, chefes e um sistema de crafting com Orbs e Essências (uma clara e excelente inspiração em Path of Exile), The Last Good Boy é uma montanha-russa de mecânicas. Apesar da complexidade, tudo é muito bem explicado e detalhado, com uma localização impecável para o português do brasileiro.

Mini-games em The Last Good Boy
Os mini-games irão te ajudar muito na coleta de itens! – Imagem: reprodução

Os controles são simples, customizáveis e não te dão trabalho. Os minigames de coleta, que desbloqueiam conforme seu nível de crafting, são um alívio gostoso para acelerar o farm.

The Last Good Boy é um gesto de amor de um desenvolvedor ao seu cachorro e à sua paixão por game design. Victor Kaike não apenas fez um jogo funcional e divertido; ele criou um mundo onde Ramon é imortal, herói e, acima de tudo, o melhor garoto do mundo.

Se você curte Idle RPGs com profundidade, ou se é apenas um tutor de pets que quer ver um cachorrinho virtual vivendo grandes aventuras, compre este jogo. Por apenas R$ 14,99 na Steam, você não está apenas adquirindo dezenas de horas de entretenimento viciante; você está apoiando um talento brasileiro que promete dar o que falar no cenário independente. Há também uma versão Demo disponível na página da Steam.

Pontos fortes

  • Ramon!
  • Controles fáceis
  • Em português
  • Trilha e efeitos sonoros relaxantes
  • Mini-games que ajudam
  • Muitos itens e equipamentos para colecionar

Pontos fracos

  • No inicio pode parecer lento
  • Sistema de batalha e crafting são confusos para quem não está acostumado com jogos do mesmo gênero

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