Uma das coisas que mais me encantou no R36S — e ao mesmo tempo mais me deu dor de cabeça — é o fato de ser um computador Linux de bolso. Isso significa que a comunidade cria, mantém e melhora os sistemas operacionais que rodam nele. E existem muitos. Cada um com sua proposta, seus pontos fortes e seus problemas.
Passei quase seis meses testando cada sistema que estava ao meu alcance: assisti horas de vídeo, fuçei fóruns no Reddit, li documentações, e sobretudo, coloquei cada OS no cartão SD e usei de verdade. Essa é análise de quem perdeu saves, correu risco de corromper cartão e ficou frustrado mais de uma vez antes de finalmente encontrar o sistema que me fez parar de procurar.
Aqui está o resultado honesto de tudo isso.
Indicações de compraO que todos têm em comum
Antes de entrar em cada sistema, é importante entender como eles funcionam para que a comparação faça sentido.
Todos os sistemas operacionais para o R36S/R36XX têm o mesmo objetivo central: carregar o EmulationStation, que é a interface visual dos menus, e usar o RetroArch por baixo dos panos para rodar os emuladores. A diferença entre eles está em como fazem isso — quais emuladores (chamados de cores) disponibilizam, com que desempenho, quão fácil é configurar, quão frequentes são as atualizações, e quão bem suportam as variações de hardware do portátil.
Lembra que falei na análise sobre as diferenças de tela entre lotes de fabricação? Pois é — os sistemas também lidam com isso de formas diferentes, e alguns são mais cuidadosos do que outros nesse ponto.
1. AmberELEC
Promessa: alta precisão nos emuladores, suporte a cores mais pesados como o BSNES e o MESEN, código aberto, experiência de “pegar e jogar”.
Realidade: a interface é leve e visualmente bonita — navegar pelos menus tem um charme que lembra um EmulationStation bem cuidado, com tema. Mas a navegação em si me incomodou um pouco; falta aquela fluidez intuitiva que você espera.
O ponto que mais me decepcionou foi o desempenho no SNES. O AmberELEC promete muito com os cores de alta precisão, mas esses cores foram pensados para rodar no RG552, um portátil muito mais potente da Anbernic. No R36S/R36XX, eles engasgam. O próprio site do AmberELEC confirma isso nas notas de compatibilidade — só que essa informação fica escondida e a maioria das pessoas não lê antes de instalar.
A comunidade em torno dele é ativa e o projeto parece promissor para quem tem hardware mais robusto. Mas para o R36S/R36XX, não é a melhor escolha se desempenho no SNES é prioridade.
Veredicto: promessa maior do que a entrega para este portátil específico.
2. AndR36oid

Promessa: Android no portátil. LineageOS 18.1 adaptado para o R36S/R36XX. Instale apps da Play Store, use outros emuladores, tenha o GTA San Andreas na palma da mão.
Realidade: eu sei que você ficou animado lendo isso. Eu também fiquei. E foi exatamente esse o sistema que mais me decepcionou de todos os oito que testei.
O AndR36oid não foi projetado para trabalhar com processadores de baixa potência e apenas 1GB de RAM. Ele liga, funciona — você até olha para a tela e pensa “caramba, está rodando Android!”. E aí o portátil começa a esquentar. Os engasgos aparecem. A bateria desaparece em velocidade assustadora. E toda aquela fantasia de instalar emuladores da Play Store vai por água abaixo quando você percebe que o desempenho não compensa nada do esforço.
O primeiro boot dele é muito demorado, a tela fica preta, você precisa ser paciente e aguardar uns 10 a 15 minutos para que ele inicie. Precisei queimar a imagem iso dele várias vezes até dar certo.
Os vídeos na internet mostram o GTA San Andreas “rodando” no R36S com o AndR36oid. O que não mostram é o framerate sofrível, o áudio pipocando e o calor que o portátil emite. É daqueles conteúdos que existem para impressionar em miniatura — na prática, você não vai querer jogar assim.

A sensação de usar o AndR36oid é de estar mexendo em um celular de 2012 em câmera lenta, não em um videogame. E para emulação, um sistema Linux focado faz isso muito melhor.
Veredicto: evite. A ideia é ótima no papel, a execução no R36S/R36XX é frustrante.
3. ArkOS (R3XS)

Promessa: o clássico. É ele quem vem instalado nos cartões SD originais. Comunidade grande, muito suporte online, ampla compatibilidade.
Realidade: cumpriu seu papel por muito tempo. Mas hoje ele é um sistema que envelheceu mal — lento, travado, com interface que parece não ter recebido amor em anos. Se você instalou e achou que o portátil era mais lento do que esperava, há uma boa chance do ArkOS ser parte do problema.
A boa notícia: em dezembro de 2025, o próprio repositório oficial do ArkOS no GitHub exibiu um aviso direto ao ponto — o projeto foi descontinuado e substituído pelo dArkOS. O repositório continua no ar apenas para fins históricos.
Não tem muito mais o que falar sobre ele. É o ponto de partida para entender de onde o R36S veio, não para onde ele pode ir.
Veredicto: já era. Migre para outra coisa assim que puder.
4. ArkOS for Clones

Promessa: compatibilidade estendida com as versões clone do R36S — aquelas unidades que chegam com processador diferente, drivers alternativos e incompatibilidades variadas com os sistemas padrão.
Realidade: esse aqui merece respeito genuíno. Se você comprou um clone sem saber — ou sabendo, porque era o que cabia no bolso — o ArkOS for Clones é muitas vezes a diferença entre ter um portátil funcional e ter um peso de papel caro.
O desenvolvedor responsável fez um trabalho sério de mapear as variações de hardware e garantir que o sistema funcionasse para quem não teve sorte (ou dinheiro) de pegar o modelo original. O problema é que esse mesmo desenvolvedor anunciou uma pausa nas atualizações por esgotamento. Infelizmente, pela forma como saiu, minha impressão é de que não deve voltar a mexer no projeto.
Isso não invalida o que já foi feito — se você tem um clone e quer uma experiência estável sem muita complicação, ele ainda funciona. Só não espere receber novidades.
Veredicto: herói subestimado da comunidade. Estável para clones, mas sem perspectiva de evolução.
5. MyMinUI
Promessa: minimalismo total. Interface limpa, direta ao ponto, sem distrações. Aquelas fotos bonitas de portáteis mais caros com menus elegantes e simples? Parte disso é o MyMinUI.
Realidade: o foco original do MyMinUI é a linha Miyoo — um portátil diferente, com hardware diferente. A adaptação para o R36S existe, mas você sente que ele está um pouco fora do ambiente natural. Os menus são bonitos sim, mas achei a navegação confusa na prática — não é tão intuitivo quanto parece nas fotos.
Outro ponto: ele roda em cima do ArkOS original, o que já nos dá uma ideia do teto de desempenho que você pode esperar. Para quem quer praticidade e não vai fuçar em configurações, o apelo é claro. Mas para quem quer extrair o máximo do portátil, o MyMinUI vai deixar a desejar.
Veredicto: bonito, mas limitado. Faz o básico bem feito para quem não quer complicação.
6. PAN4ELEC

Promessa: uma versão melhorada do AmberELEC, com foco específico nas variações de tela do R36S (lembra do painel e dos arquivos .dtb?) e correção de algumas limitações que o AmberELEC apresenta.
Realidade: o PAN4ELEC existiu para resolver um problema real: o AmberELEC não lida bem com todas as variações de hardware do R36S, e o PAN4ELEC veio como um “patch” mais especializado para isso.
É um sistema funcional, mas honestamente não me trouxe nada que justificasse abandonar outras opções mais consolidadas. Ele resolve o que promete resolver, mas não vai além disso. Se você tiver problemas específicos de tela com o AmberELEC, vale testar — do contrário, provavelmente existem escolhas melhores.
Veredicto: nicho. Útil para situações específicas, não para uso geral.
7. ROCKNIX
Promessa: experiência completa, boa compatibilidade, suporte a múltiplos portáteis.
Realidade: o ROCKNIX me surpreendeu pela qualidade — é um sistema sólido, bem construído. Mas quando o usei ao lado do dArkOS, percebi que as opções eram praticamente as mesmas. Mesmas ferramentas, mesmas configurações de rede, mesma estrutura geral. A sensação era de estar usando o dArkOS com outra capa.
Isso não é necessariamente ruim — significa que ele está no mesmo patamar de qualidade. A razão pela qual não fiquei com ele foi simples: o ROCKNIX não recebia atualizações com a mesma frequência que outras opções. E para mim, atualização constante é sinal de comunidade ativa, de melhorias chegando, de emuladores sendo otimizados.
Veredicto: bom sistema, mas fica na sombra de opções que evoluem mais rápido.
8. dArkOS (dArkOS RE R36)

Promessa: o sucessor oficial do ArkOS. Suporte completo ao R36S e seus clones, comunidade herdada do ArkOS, atualizações contínuas.
Realidade: o dArkOS é genuinamente uma boa evolução do ArkOS — e se você vinha usando o ArkOS, a migração para ele faz todo sentido. Mais estável, mais opções, mais cores disponíveis. Para quem veio do ArkOS clássico, parece um upgrade imediato.
Mas tem um ponto que me incomodou de verdade e que nenhuma análise comenta com clareza: a configuração de Wi-Fi. Para conectar o portátil à internet no dArkOS, você precisa acessar uma ferramenta dentro da pasta Tools. Até aí, tudo bem. O problema é o que abre: uma tela azul com caixa cinza, interface estilo MS-DOS, listando as redes disponíveis. Funciona? Sim. É intuitivo? Absolutamente não. Parece que você voltou para 1995 para configurar uma placa de rede.
Para quem usa RetroAchievements, atualiza cores ou acessa o portátil pelo celular para enviar ROMs, essa configuração de rede é algo que você vai fazer com frequência. E toda vez que eu precisava fazer isso no dArkOS, batia aquela impaciência.
Fora isso: é um sistema decente, com uma comunidade que se movimenta, variantes surgindo (o que é sinal de saúde do projeto). Mas nesse ponto da minha jornada, eu já tinha encontrado algo melhor.
Veredicto: boa escolha se você quer algo próximo do ArkOS com mais polimento. Mas a interface de rede é um passo atrás que incomoda mais do que deveria.
9. UnofficialOS

Promessa: leve, rápido, atualizações frequentes, compatível com R36S original e clones, baseado no Linux JELOS.
Realidade: O que me conquistou primeiro foi a velocidade. O boot é rápido, os menus respondem na hora, os jogos carregam sem aquela hesitação que você aprende a odiar nos outros sistemas. O JELOS como base faz diferença real — você percebe que o sistema foi construído com eficiência em mente, não apenas adaptado.
Mas o que realmente me fez encantar por ele foi a configuração de rede. No UnofficialOS, existe uma seção dedicada de redes no menu principal. Você entra, vê suas redes Wi-Fi disponíveis, conecta — como qualquer pessoa esperaria que funcionasse em 2025. A partir daí, o sistema te dá o endereço IP do portátil, e você acessa as pastas pelo celular ou computador via rede local para enviar ROMs, sem precisar desligar o portátil, remover o cartão, ligar adaptador, nada disso. É uma funcionalidade que parece simples, mas transforma completamente o fluxo de uso no dia a dia.
O RetroAchievements é configurado diretamente dentro do sistema, com uma tela bonita que mostra seu progresso e jogos de forma organizada. Fiz 100% das conquistas do Mega Man Xtreme do Game Boy Color no R36XX com o UnofficialOS — e acompanhar esse progresso ali dentro do portátil foi uma experiência muito mais agradável do que em qualquer outro sistema que testei.
As atualizações chegam com frequência. E cada atualização traz melhorias reais: novos cores, otimizações de desempenho, suporte a novos portáteis (o que garante que o projeto continuará vivo por um bom tempo), atualizações específicas para emuladores como DuckStation (PS1), PPSSPP (PSP) e MelonDS (DS). Nunca precisei reiniciar o portátil no meio de uma sessão por travamento com o UnofficialOS — o que, para quem passou pelo ArkOS e seus derivados, é um alívio enorme.
A documentação também merece menção: tudo está registrado no site oficial. Se você tiver dúvida sobre alguma funcionalidade, existe uma boa chance de estar documentado lá.
Veredicto: um dos melhores sistemas operacionais disponível atualmente para o R36S/R36XX, na minha experiência. Leve, rápido, moderno e com uma comunidade que realmente cuida do projeto.
10. KNULLI Scarab — O vencedor!

Promessa: Ele apresenta um firmware personalizado e seu coração funciona com o Batocera. Ele promete sempre trazer sistemas otimizados e atualizados para o seu portátil.
Realidade: a sua interface é como o do UnofficialOS. A facilidade das opções de Wi-Fi também estão presentes, assim como o RetroArchievements e ele vem com uma tonelada de opções extras e recursos de melhoria, inclusive, achei o gerenciamento de bateria e de memória Ram o melhor entre todos eles, mesmo em jogos mais pesados o R36S/R36XX não apresentou engasgos. E mesmo jogando na internet, a bateria dele não foi drenada.
Sem contar a facilidade de não precisar ficar trabalhando com arquivos .dtb para o painel painel do portátil, eu simplesmente liguei ele e em alguns segundos ele identificou qual o painel era o meu. Quando ele vai ligar eu senti um pouco de demora, pois ele faz uma varredura completa na pasta de Roms e outros sistemas, mas nada que atrapalhe!

Gostei muito das opções extras por jogos, ele já vem com algumas bordas, filtros e opções de tela em que você não precisa ficar perdendo tempo dentro do RetroArch para configurar. Inclusive, a configuração por padrão que vem dos jogos do Game Boy Advance eu achei bem aceitável e bonito… Eu sou chato com pixels perfeitos e “crocantes”, mas resolvi deixar a opção que veio por padrão.
Ele tem uma documentação absurda de boa no site do projeto e eu estou muito satisfeito com sua usabilidade. Certamente é o meu favorito e vencedor entre todos eles! Se não fosse o KNULLI, certamente o UNOFFICIALOS seria o meu queridinho.
Resumo rápido para quem quer a resposta direta
| Sistema | Vale instalar? | Para quem? |
|---|---|---|
| AmberELEC | Talvez | Quem quer experimentar; desempenho no SNES decepciona |
| AndR36oid | Não | Curiosidade apenas; prático é impossível |
| ArkOS | Não | Descontinuado, só histórico |
| ArkOS for Clones | Sim | Quem tem clone e quer estabilidade sem novidades |
| MyMinUI | Talvez | Quem quer simplicidade acima de tudo |
| PAN4ELEC | Situacional | Problemas específicos de tela com AmberELEC |
| ROCKNIX | Sim | Boa opção; só fica atrás de atualizações frequentes |
| dArkOS | Sim | Quem migra do ArkOS e não se incomoda com a rede no MS-DOS |
| UnofficialOS | Sim, fortemente | A melhor experiência geral disponível hoje, perde só para o KNULLI Scarab |
| KNULLI Scarab | Sim, o melhor de todos | Recursos fáceis de se aplicar, bem otimizado, economia de bateria e ótimos recursos. |
Uma dica antes de testar qualquer sistema
Tenha sempre dois cartões SD. Deixe um com o sistema que você usa no dia a dia e use o outro para experimentar. Assim você testa à vontade sem arriscar perder seus saves ou a configuração que já funciona. Antes de qualquer instalação, faça backup do cartão original — isso se aplica para qualquer sistema que você for testar.
Indicações de compraE você, qual o sistema você gosta de usar no seu portátil R36S/R36XX? Tem algum outro que gostaria de ver o teste aqui no blog? Compartilhe também sua experiência de usabilidade com a gente. Deixe o seu comentário!





